terça-feira, 26 de agosto de 2025

Melhor (?) que ponto final

Ela não entendeu,
não entendeu minhas palavras.
Doeu quando percebi,
quando vi, quando senti.
e ela seguiu sem ter entendido.

Disse-lhe que era o fim,
ela disse que não,
que talvez não,
que possivelmente não,
mas era o fim.
Da minha parte, 
O fim.

É insuportável ver o amor
que tanto criou e lapidou
(e lapidou!)
tendo um fim
que não a comunhão,
que não a construção, 
mas aí não vou botar a culpa em ninguém.

É tempo de viver,
tanta gente chateei,
gente disposta a amar,
a viver, também,
e eu lá preso no meu circunflexo.
indo e vindo pra machucar.

Levanto a âncora.
Agora sei,
e entendo (tão) perfeitamente,
a origem da dor
que doía todas as vezes que queria
e não conseguia
escrever esta poesia.

Adeus. 

domingo, 10 de agosto de 2025

Feliz dia dos pais!

 É dia dos pais. Uma data em que mando as felicitações para algumas pessoas e... uma data em que penso, eu, sobre o tal dia em questão.

Sempre fui sonhador (é isso que me mantém vivo!) e em algum momento, que não sei qual, aquela vontade que sempre tive de ter filhos tornou-se sonho. Tive um enteado e acho que não soube agir direito, sobretudo após meu término com sua mãe, e aos poucos perdemos o contato. Tampouco devo ter agido direito enquanto o educava, sei que ensinei muito pra ele, que tivemos nossos bons momentos, mas que fui muito exigente e isso não ajudou tanto.

Acho que o que me trouxe essa obsessão (pequena na qualidade de obsessão) foi o amor. Tanto o amor que pude sentir pelo meu enteado, quanto o amor que gostaria de dar para alguém de maneira eterna, assim como meus pais me dão. Aquela história de "amor da minha vida" é muito frustrante; me entreguei sem ponto de retorno nos meus namoros e percebi que isso pode não ser tão inteligente, já que a frustração é um preço que se paga com a alma, manifestando-se na falta de vontade de viver, de enxergar beleza, cores, cheiros, sabores no cotidiano.

Não que eu sinta, hoje, que tenha amado todas as minhas namoradas, exceto apenas por aquela que foi mãe do meu enteado. Desvencilhar-me do mal que o fim da relação causou e causa é uma tarefa muito árdua do dia a dia, tarefa que não preciso ter pelo amor por aquele menino que ensinei tantas coisas e que foi um dos primeiros a entender o modelo principal que apresentei na minha tese de doutorado! Imagina! Então o amor por um filho é talvez o sentimento mais puro que a natureza propiciou em função da sobrevivência humana.

Esse sonho se figura em ações práticas do cotidiano, desde apreciar o sorriso mais que qualquer outro, não querer estar com qualquer outra pessoa no mundo e sentir-me numa paz eterna nos instantes em que estivermos junto, ensinar a chutar uma bola como não sei, ensinar a falar bobagens infantis da maneira que faço de maneira talvez até cansativa, conversar e interessar-me de maneira obsessiva pelos assuntos que se interessa, aprender sobre seus gostos que não advém de mim, curtirmos junto a comida caseira de um lugar novo, falar em línguas que não o português, ver o mar, montanhas, o Machu Picchu, campos de neve, a superestimada Times Square, a tecnológica Cantão (Guangzhou), Campinas, Medellín, Ouro Preto, Manaus, aldeias guaranis, Madagascar (com e sem pinguins), Oxford, Lyon, Bangkok, Kyoto e até umas outras.

Talvez, realmente, o sonho da minha paternidade seja o sonho de viver o amor sem a possibilidade de frustração, junto ao detalhe de lapidar uma existência. Talvez eu não precisasse da paternidade pra nada disso, mas que bom seria.