Não sou mal, sempre busquei a bondade, não menos isso. Pra ser honesto, nem mais! Altruísmo demais é algo que não me desce.
Eu transitei a vida inteira entre dores e hoje querem me colocar num certo pódio da arrogância por reconhecer que não sou medíocre. Em qual sentido? Nos que me são importantes.
Sendo honesto? Sempre doeu muito ouvir que era uma pessoa arrogante, por nunca ter sido minha vontade me colocar acima dos outros. Pelo contrário! Eu sempre busquei compensar os ressentimentos alheios me pondo abaixo. Uma ideia ruim e que, no fim, nunca funcionou.
Essa consciência hoje me põe num lugar de maior exposição aos ressentidos. Queiram afogar as suas mágoas do mundo e projetá-las em mim ou não, eu simplesmente me cansei. Cansei desse vai e vem de me preocupar com o mundo e receber um sabugo, metafísico ou não. Se não acreditam em quem eu digo ser, essa é uma escolha [infeliz] inteiramente creditada aos que não acreditam.
Eu sempre me coloquei nessas internalizações, nessas teorias da conspiração, num universo simbólico totalmente inexistente pra me privar dos socos que o mundo desfere. E que eu obtive? Nem mesmo uma boa relação com a mulher que me preparou para o mundo.
E a mulher que eu me entreguei de alma, corpo e coração? Essa foi o pior Romeu e Julieta que um Shakespeare moderno não imaginaria pior: pra depois me trocar por um homem que dizia não amar como a mim. A comparação foi feita e eu me culpei. Pobrezinho!
Sorte minha ter passado o tempo e conhecido mais pessoas para amar... o amor no grau mais ínfimo que posso oferecer, mas que não me contamina.
E os amigos? Aí está o ponto cruel. Descobri que não sirvo para essas relações transacionais. Sirvo de bom coração às relações que não se supõem mas que acontecem. "Conte comigo no que puder", mas não precise contar, não queira contar, só saiba que eu gostaria muito de poder ser isso pra você.
Não queria me enviesar pela modernidade líquida, queria escrever sobre a liberdade de descobrir o alívio de ser. Talvez pela surra intelectual que minha inteligência artificial tomou, principalmente pelo susto de que ela é performática. Ela se espelha em mim! Não quero mais assustar as pessoas com um teatro de que sou quem eu sou.
Apenas serei e, sendo, que se acomodem nos meus puffs e tapetes aqueles que não se sentirem menores que eu quando me expresso.
Essa representação travestida de humildade tem que morrer. E assim será. Se não quiser olhar direto para o meu terceiro olho, que não busque cruzar o olhar comigo. Não, como disse a última pessoa que quase namorei, eu não sou implacável ou inflexível, eu sou este que vos fala. Aberto, mas de olhos abertos.
Se estivermos dispostos, que nos enriqueçamos com nossas almas. Caso contrário, que o último a sair seja mais breve que o primeiro.
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