É uma lástima que eu venha a escrever sobre a estrutura simbionte que me encontro justo nesse momento em que a vida me pregou algumas peças.
Para o meu ávido leitor fantasma, é justa a satisfação. Eu sou intenso no que sinto quando sinto e isso me é prejudicial, razão pela qual tento sentir menos. Conheci alguém que me revirou o mundo em instantes de carinho e que, simplesmente, assim como fluem as águas de um rio, me disse que não queria mais nada. Me senti apunhalado por mim mesmo: por que me entreguei tão facilmente? Por que me deixei levar pela maravilhosa sensação de paz? Por que senti paz?
É nesse clima que quero reforçar a estética, mais uma vez. É o tão raso zeitgeist, tão incompatível comigo, tão colorido e fútil, libertino em discurso, dolorido, enfim. Não queria recorrer a Baumann, assim como devo recorrer, para que eu consiga entender a liquidez das relações. Será meu profundo desconhecimento sobre a sociologia das relações transacionais que me faz tão inocente? Eu conheço a maldade das pessoas, só prefiro evitar cruzar esses caminhos, inclusive quando não consigo evitá-los.
É tão degradante ver os retalhos harmônicos da vida em meio a um momento ímpar de solitudes combinadas. Existe essa animosidade com o coletivo, é um caminho (espero que com volta) para um egoísmo social exacerbado. Queria simplesmente colar as fotos, com suas respectivas músicas, num caderninho que alguém dissesse "consigo entender que assim é a sua vida, sua rotina. Eu posso sentir o que você sente." Me encontro nesse momento de sentir falta dessa correspondência das aspas, e pode ser apenas autossabotagem.
Vemos o ser humano querendo ir além do que é, apenas para mostrar aos outros que o é. Perdeu-se a autenticidade pelo simples fato de ser, agora tudo deve ser contrastado com o coletivo para evidenciar a mediocridade brilhante do ser. E aqui é gerado um delírio de que aquilo que se prostra ao coletivo sempre é isso: uma convenção de pires disputando o lugar de mais profundo.
Também quero expressar as minhas sensações sem o objetivo de serem comparadas, sem a angústia de caminhar por um vulcão em erupção escolhendo palavra por palavra para não ser tido como arrogante, apelativo ou intransigente por aqueles que considero! Preciso expelir essa pulga criativa para que não exploda dentro de mim uma inquietação que vai me rasgando as entranhas metafísicas. Minha maior satisfação dopaminérgica é o processo de criação, a criatividade é o que me move e, reconhecidamente, é o que me fez chegar em cada lugar que cheguei. E hoje eu esbarro, ou tropeço, nessa histeria do coletivo.
Como é possível que uma sociedade esteja tão adoecida? E isso transpassa qualquer barreira do indivíduo, reflete em cada pequeno gesto, cada passo, cada pensamento. Talvez a crítica seja econômica, talvez socioeconômica. Chega um ponto em que não importa mais a fonte das perguntas, biológica ou química, psicológica ou cultural, não importa. Estamos buscando perguntas cada vez mais específicas para entender porque estamos ruindo como seres sociais. Não são as respostas que desenvolvem o mundo, é a abstração que o permite chegar em lugares que antes nem lugares eram, então não adianta encontrar a pergunta que se sabe responder.
Aí vem a minha rotina, o meu ambiente, minha humanidade conectada ao mundo. Sou eu que adoeço, o meu álbum de fotos é desconexo, a música que eu ouço é dissonante. Eu extrapolo minhas respostas sobre o micro pra, quem sabe, me sentir confortável sobre o meso, e poder seguir no macro. Não encaixa! É vil a sensação, me deixa num vazio existencial.
Então revivo mais uma crise (existencial) e percebo que o problema o tempo todo é tentar brincar de quebra-cabeça. Recomeço, então, mais uma vez, e como numa roda-gigante, me percebo conectado, simbionte.
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