Olhei ao meu semelhante, como um pretexto para não me sentir só. Deu certo.
Parece que ser sentimental não é algo que separa uns de outros; no fundo, deve ser um número quase nulo de pessoas que não têm essa característica. A princípio, essa ideia já leva a uma outra: onde, então, se esconde tanto sentimento assim no dia-a-dia? Mas esta não é a pergunta certa, já que como bem me lembro, nem mesmo eu sou sentimental assim no cotidiano. Aliás, é raro que alguém não seja sentimental, entretanto é mais raro ainda o sentimento ser exposto.
Como agora falo de sentimentos, não posso deixar de lado o ódio. Este sim é exposto, consideravelmente exposto! E para que, por que? Parece que fazer o mal é mais válido que fazer um gesto de carinho e esta situação é daquelas que só fazem perder a fé na humanidade.
O carinho se tornou algo careta: amigos não podem demonstrar carinho uns pelos outros, que já parece um apelo para um outro tipo de relacionamento; pessoas que "ficam" - porque esse é o termo que melhor descreve nos dias de hoje tal tipo de relacionamento - não podem demonstrar carinho uma pela outra, que já parece que é algo a mais. Como o carinho pode ser tão raro? Será que só palavras bonitas e orgasmos são o que conta para a felicidade?! Foda-se Freud!
Parece paradoxal ou masoquista, já que sempre penso (muito) antes de falar, mas me dói ter de pensar para falar. Não gosto que usem minhas palavras contra mim, só que cada vez mais parece que é necessário reverter esse meu gosto. Ninguém mais fala ou quer falar a ponto do outro se sentir confortável, só quando esse comportamento é necessário, o que já faz pensar que a gentileza também está em falta (e está). Sei que é hipocrisia apontar para o outro, sendo que também cometo um erro. Acontece que, no caso, ninguém está correto, e eu estou apontando para os nossos erros.
Aí vejo à minha volta, tudo em perfeita simetria. Bem, ultimamente descobri que nem sempre a simetria é algo que carrega consigo o "normal." A suposta grande explosão térmica que gerou o universo e sua expansão são resultado de um estado simétrico (HAWKING, Stephen. Uma breve história do tempo: do Big Bang aos Buracos Negros. 13a ed. p 180). Logo, toda essa simetria da indiferença pode ser um lapso da humanidade e, também, pode projetar uma grande onda de indiferença, o que só pioraria este pobre estado que estamos vivendo.
Vamos sentir! Vamos viver mais intensamente! Vamos amar! Assim como eu carrego a ideologia de que quem melhor pode fazer isso é a burguesia, eu também trago uma flor de esperança, que tem péssimas condições para se desenvolver, mas que ainda pode desabrochar e a periferia também pode vencer. É claro que esta pode ter parecido uma completa inversão do texto para os mais desavisados, mas eu vejo que o meio físico do autor sempre deve ser considerado e, como sou eu que escrevo, nada mais justo que figurar minha ideologia neste espaço.
A humanidade sofre de inúmeros problemas, mas como resolvê-los se apenas nos encarregamos de buscar mais problemas? E se a cura da maior parte deles for acabar com a indiferença? E se a cura for maximizar o carinho? E se a cura da indiferença for incendiar a discrepância entre a burguesia e a periferia? Será mesmo que nunca saberemos?
E ainda não é março...
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