quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Faltar na aula favorita

Que dia é hoje? Faz diferença se eu perguntar ou responder? Há muita obrigação para o ser social pra poder pensar naquilo que é vital; a saúde sempre pode esperar.

Não é a mesma coisa se hoje for segunda, mas acredito que seja quinta. Sabe por que? Porque tenho certeza que é novembro, tenho certeza que estou com 20, tenho certeza que choveu há 1 ou 2 horas atrás. Alguém vai perguntar o sentido disso que acabei de dizer, mas não precisa fazer sentido, já que na outra estrofe tudo se resolve.

Nossas convicções são tão fortes, que qualquer dúvida relacionada a elas passa como uma pancada efêmera na nossa mente. Aí, os tombos são fortes: aquelas dúvidas se tornam grandes empecilhos e aquelas convicções se tornam grandes ilusões; quase tudo muda. O que não muda? O que não muda.

O conhecimento é algo instável, não dá pra afirmar sobre o sujeito 'tudo' ou o sujeito 'nada', só o quase deles. Mas o que é quase? Quase é algo subjetivo, que de tão subjetivo, pode dentro de um, caber outro - o "quase o quase algo"¹. Partindo de toda essa subjetividade, não existe verdade, só inclinação à verdade - e/ou mentira - e tudo aquilo que dizemos é uma soma de lógicas tendenciosas pra favorecer os argumentos que corroboram com aquilo que acreditamos, assim como a minha busca doentia pra que minha palavras sempre pareçam irrefutáveis pra que eu possa estar certo.

O grande problema é que quase nada é baseado em extremos e não adianta eu me esforçar pra ter um texto impecável, se toda essa impecabilidade só servir pra mim, enquanto que aos outros fique uma coisa enfadonha, chata, e é aí que mora um extremo. Mudemos isso...

Quando não temos um quase, temos uma verdade e esta afirmação é falsa. Foi o Gödel² que disse que nenhum sistema lógico é suficientemente completo e consistente, quem seria eu pra discordar?! De tal forma, até as verdades sobre as "quase verdades" são quase verdade. Como consistência e inconsistência são grandezas incomensuráveis, de qual prova eu precisaria pra que minha fala fosse consistente, se não a prova de que ela fosse logicamente completa?

É claro que eu pretendia apenas falar sobre o peso das certezas sob as incertezas neste texto, mas qual o problema em apelar um pouco para esse meu fascínio por lógica?! A arte da dialética depende da lógica e a arte em decidir a melhor escolha pode ser melhorada com um auxílio da lógica, também. Assim, não estou tão disperso daquilo que queria levar ao que me lê. Bendita...

A indecisão é só um reflexo da falta de lógica que as opções oferecem, mas estou certo que falar ou pensar nisso é exatamente o mesmo que insistir numa indecisão: mergulhar em algo que pode lhe afastar de seu objetivo. Portanto, agora é o momento em que me calo, sem muitas pretensões.

¹ - É como se houvesse sempre um dinamismo que impusesse que dentro de um 'quase', haverá um outro 'quase', de tal forma que será inconsistente como "verdade" mencionar o 'quase'.

² - Talvez já tenha sido observado o meu fascínio pelo teorema da incompletude, já que eu já o citei em alguns textos e constantemente falo sobre ele, seja pessoalmente, virtualmente ou de qualquer outra forma, mesmo nunca o tendo estudado (no contexto acadêmico) a fundo. Mas pretendo parar com isso alguma hora. Sério.

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