terça-feira, 16 de abril de 2013

Oito de outubro

Entorno novamente na nostalgia, trama da minha vida. Não tive sucesso com a adversidade do mundo, já que eu mirava no oposto da corrente; queria apenas um pouco de iluminação, apenas um êxtase, uma válvula de escape, como aquela que sempre tive tão facilmente, sem saber o porquê de tão fácil, nem saber o porquê de eu ter.

Afinal, não tenho culpa de ser assim ou de pensar assim; cada pessoa no mundo é um universo e o meu universo não permite uma natureza racional pra explicar o irracional, me desculpe. Jamais pensei ou tive qualquer pretensão de apostar num mundo inteiramente racional, então a questão já não é mais essa diferença astronômica de crenças entre o eu e o mundo dos olhares, sorrisos e contatos físicos.

Estive acordando bem-disposto, não reclamei ao me olhar no espelho, nem fiz cara feia quando o pão estava amargo, já que seria bem óbvio que o pior me esperasse. Aí chega o ponto em que o novo nasce velho, só pela coincidência ou pela exaustão. A repercussão? Corpo pesado, olhos inchados, paladar ofensivo - resta somente o gostinho de uma dor desconhecida, que não aconteceu e acontece a cada instante. Eu poupo palavras para descrevê-la, pois é uma lástima saber que isso é apenas retrospecto dos meus atos.

As noites caem, conspiro sobre a sociedade, o conhecimento e todos os sentimentos. Vivo uma má época naquilo que prezo e destino minha vida; meus cadernos vivem uma má época de preenchimentos massivos, rebeldes e sobretudo tristes; o mundo exterior vive uma má fase de aproximação comigo; maldigo a todos e me refugio nas crianças e outras formas de vida. Então fica bem, sem estar bem: fica discreto, o mundo e como o vejo.

É aí que há complicação: viver não pode ser figuração. O mundo está girando e enquanto eu for vivo, ele estará girando. O ideal não pode morrer, a singularidade não pode morrer. E tempo... tempo é um fluxo, uma ordem que clama por espaço, contexto e essência, que não se pode confiar - há muito mais que simplesmente observações e notações físicas, não desmerecendo o papel que é fundamental e que cada um tem. Há algo por trás disso tudo e é por isso que não se deve parar, nem acompanhar todas essas grandezas físicas apenas em passos vazios.

Aparentemente, quero lutar por justiça e por algum nó na garganta. Não que seja bem assim, nem que seja diferente disso; é complicado demais extasiar a existência de novos ideais, ainda mais quando eles são o oposto de tudo aquilo que a trilha evolutiva dos fatos culminou. Em palavras mais sensatas para a ocasião, eu diria que a minha nova justiça é a injustiça daquilo que outrora cavei. Sendo assim, não há cura ou tratamento para a doença que eu me causei. E, sim, esse é o ponto. O ponto que mais dói, mas ao mesmo tempo, o ponto que mais ensina. É como as grandes conjecturas, que se apoiam em grandes postulados e hora ou outra, são derrubadas por novas grandes conjecturas apoiadas em novos grandes postulados, muito mais consistentes e precisos. Só não há mais tempo, pois como disse o poeta, é chama.

Eis que isso tudo virou conjectura, também. Entretanto, será certo pensar em Kurt Gödel ou Bertrand Russell? Isto é, será certo associar isso a um sistema inconsistente de ideias? Quero dizer, pois, se estou numa condição em que tudo que eu fizer se tornará erro, será que esse pensamento também não decaia na própria regra, sendo assim, erro e, portanto, seja possível que haja uma última luz no fim do túnel?

Apenas reflexões.

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