domingo, 14 de abril de 2013

Motivacional, sensacional e realmente o que se precisava

Motivacional como o orgasmo dos mosquitos, sensacional como o horário nobre da televisão, realmente o que se precisava como a presença da faca num prato de macarronada. Eu apresento aqui e agora: o texto mais importante do mundo!

Claro que não, não há textos importantes, nem o que seria contrário a isso (desimportantes?). É um joguinho de palavras em conjunto - ah, como eu adoro esse clichê - prontas pra relacionar um tema tão esplêndido como esse: como conseguir escrever.

Muitas, muitas, um número concebivelmente grande de vezes me deparei com a ideia, o instrumento de escrita, a folha em branco e... que mais?! Aquela coisa que passou. Foi, é, será sempre um momento doloroso. Pode ser inspiração, pode ser eclosão, pode ser algo, mas não está presente e acaba nesse ressentimento - tão chato, tão podre.

As sobras ficam. Uma hora o estoque ou a cabeça explode, por descontentamento ou por raiva, ou por um pouco de cada. Há sempre uma música que ajuda a se conformar ou se deteriorar, depende muito do momento e da pessoa. Delimitações aqui, determinações ali, determinismos acolá e realmente acaba sendo imprevisível o que acontece postumamente. Não é bom!

Então que acaba voltando à estaca zero; "retrocesso de inverno" - bendita bola de neve. A ideia nunca se esvai completamente, fica nos escombros procurando o melhor momento para dar o bote e surgir como um segundo problema na hora em que ocorre aquele primeiro - sim, personifiquei a ideia. É vingança! Todavia, não é uma super vingança, é que cada ideia gosta de ter o seu espaço em igual; se o meio de produção é igual a todas (a mente), por que a expressão delas há de ser diferente? Ideias também têm sentimentos. E como têm...

Agora estamos com um problema descomunal: não é possível desenvolver porque um primeiro desenvolvimento incompleto (que por natureza não tem solução) atrapalha todos os demais. Ei, isso é um ciclo vicioso. Aí, o escritor ou adepto da escrita vive uma má fase*, que uma hora - e não me pergunte qual hora é - passa e ele volta a desenvolver tranquilamente, como num passe de mágica, até que esse problema retorne novamente.

Até então, isso tudo faz sentido. O problema é que esse sentido da análise do sentido falho também falha. Quando isso acontece, não há o que temer, é o mesmo problema já descrito - talvez haja o que temer, mas desconsidere - e a solução é simples: não há solução, espere o tempo "fazer passar". Sim, é sobretudo complicado, mas por enquanto está simples. E eu, como o bom.. bon vivant aproveito essa brecha e ponho ponto final nesse impasse, só pra descontrair.

* Em relação a essa má fase, recomendo o filme Barton Fink. Escrito, dirigido e produzido pelos irmãos Coen, de 1991. http://www.imdb.com/title/tt0101410/

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