Não lembro de muitas coisas, mas lembro de choro.
Não lembro de muitas coisas, mas lembro de gritos.
Não lembro de muitas coisas, mas lembro da violência.
A violência transtorna, mutila e rompe com a alma, desgasta todos fluidos de bons pensamentos, arranha a face de um coração que dá a cara a tapa. Não é sombria, mas cruel. É tão cumulativa, que vai enfatizando na mente todo o ódio possível até que seja suficiente para rebelar-se em fera, descontrolar-se em fúria, consolidar-se monstro. Monstro atroz, que só não sabe onde confiar teu rumo, mas despedaça a coesão, pobre criatura.
Queria poder saber onde acabo com a monstruosidade, mas esses complexos nervosos são indecifráveis. Sem dúvida, algo degradante. Entretanto, se não contiver o que de ruim se expandir, como à ordem chegar?
Lembro-me de Raul, não que ele dissesse a respeito disso, mas quanto àquela música que tanto se repete "coisas do coração". O que ocorre é exatamente isso, pois existe toda uma relação de envenenar, apodrecer e entristecer o coração nessa de, respectivamente, enfurecer, acalmar e lembrar. É uma autodestruição, suicídio da essência, propagação da infelicidade. E, tanto assim, tudo isso pra que?
Atenho-me que nunca há motivos para decair-se no ódio, visto que é tudo tão sem sentido e fugaz, que nem a própria humanidade sabe quanto vai durar e porque tanto dura. Em primeiro ponto, pode até parecer que isso me ponha indiferente em relação à existência ou não do ódio. Todavia, com um pouco mais de reflexão, basta lembrar que a fúria é autodestrutiva para quem a sente, o que faz total diferença na hora de escolher o melhor caminho para a prosperidade do ser.
Tem uns panacas aí que gostam de contribuir na desavenças, vulgo colocar lenha na fogueira. Esses não refletem pena, reflete desprezo. Sem mais.
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