quinta-feira, 7 de maio de 2020

Saudade de você

Me perdoe, sou dramático. Ouça Baby Consuelo dizendo "não chore, meu amor, não chore" e faça disso minha súplica: não chore.

Me perdoe pelas ausências também; somos tão próximos, estamos tão distantes. Não sei qual seria o melhor discurso agora, é o momento em que venho com o rabo entre as pernas, não é mesmo? Recolho-me a ti porque somos carne e unha, alma gêmea. Lembra aquele dia no karaokê? Nos divertimos bastante: sexo, álcool e rock n roll! Lembro até que fumávamos.

Aquele dia na praça Roosevelt então? Ainda mais disso! E essas lágrimas são de felicidade. Dói o coração nosso desencontro, nossa disritmia, nosso compasso distinto. Tem horas que nos encontramos, acredito que sim; tem horas que eu quero te ver, mas não vejo. Você não volta, né? Isso machuca em alguns momentos. A vida não é bem aquele filme em que eu supunha ser protagonista. Disso você lembra né? Acho que foi ideia sua.

Quando aperta, que aperta de verdade, eu olho no espelho e fico te procurando, como que te esperando. Olho no fundo dos meus olhos, afinal, você deveria estar lá. Me falta tua compaixão, tua criatividade, teu jeito tão legal de dizer "vai ficar tudo bem". Você não falava sobre ansiedade, depressão, sobre desilusão amorosa... você era o próprio amor. Tanta compaixão, carinho, ternura, teu jeito era a coisa mais agradável do mundo. Onde você se meteu? Me diz que eu busco.

Me diz que eu busco.

Você tinha solução pra tudo, não tinha um pingo de maldade no coração, um pingo! A maldade que você tinha era essa característica efêmera. Que droga! Você está dentro de mim, quero te atingir, quero te alcançar! Você é a parte mais bonita de toda essa história e nem sequer deixa rastros. Hoje tive aula sobre meditação, tenho certeza que em algum momento você passou por lá. 

Se te roubaram, me desculpa, não foi minha culpa. Eu tenho muita culpa, mesmo que odeie me fazer de vítima (e faça), mas isso não foi minha culpa. Todos esses duros momentos têm me mostrado o que eu já sabia: sou forte, aguento firme à beça. Só que não estou interessado em mais provações, não estou interessado em mais dificuldades pra saciar meus piores pesadelos, não estou interessado nessa ideia egoísta de saber que sou forte. O que quero é você comigo, pra nunca mais nos separarmos.

O mundo é cruel, mas ainda mais cruel é essa insensatez da vida sem a parte mais nobre da minha existência: você. Você sou eu. Sou eu há anos atrás, sou eu numa versão tão diferente, tão dócil. A culpa pode ser do capitalismo, da sociedade, das atrocidades da própria sociedade, eu não sei e nem quero saber quem é o culpado. Hoje tenho consciência, hoje tenho percepção de mundo, hoje eu sinto falta de você. Você é o Denis que estaria abraçando e não o que está sentindo falta de abraço. Me dê uma dica, uma pista, insista.

Eu queria ser você de novo.

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