domingo, 5 de outubro de 2014

O fetiche no não-fetichista

Descobri um novo valor místico e mítico que algumas leituras podem oferecer. Pode parecer meio pervertido, mas em essência não é... bem, se for pensar com um toque de romanticidade, sim, é.

Uma boa leitura pode oferecer diversas fantasias e é neste ponto que se elucida meu novo valor. E qual é o consenso definitivo desse ato? Estudo, lazer, passatempo, muitos dizem muitas coisas. O problema é que todas essas vontades decorrem durante o nosso cotidiano e não num tempo isolado, como os filósofos naturais e físicos clássicos gostavam de pensar.

Veja como é interessante essa visão física dos fatos: nosso cotidiano está recheado de deveres e direitos, logo, para economizar tempo e trabalho mental, fazemos associações para compreender os novos conhecimentos que vamos adquirindo e não perder os que já temos. Bem, talvez não tenha ficado clara a minha intenção e eu explico sim, pois, quando estamos lendo um livro, uma revista, um outdoor acabamos lembrando de ocasiões similares ou não. Eis que nesse ponto, podemos criar pontes fortes de lembranças e, exemplificando, um livro infantil pode acabar levando a uma lembrança tão confusa e prazerosa, que pode ser até considerada pervertida.

Acalme-se! Ou permaneça calmo, porque é bem provável que você pense horrores sobre algo tão inocente e aí, a perversão pode vir de si. As lembranças muitas vezes - como nesses casos - são sensações inocentes, acredito, já que não têm um quê de vontade que ocorram... mas ocorrem. Então, encontro um ponto singular da mente: uma linha tênue entre a inocência e a devassidade. Justamente aí que mora minha decisão por considerar todo esse papo um valor.

Seria muito interessante se muitas pessoas discordassem de mim, porque corroboraria com a ideia. Imagine se todas as pessoas do mundo (incluindo os astronautas) tiverem o mesmo sentimento que você, em resposta a algum estímulo. Isso seria interessante para consolidar a definição de pessoa, mas não justificaria a denominação de valor em relação a essa resposta, pois assim todos teriam o mesmo, o que seria desnecessário.

Também não é um apelo, eu não tenho uma fissura para que todos tenham o mesmo sentimento que eu. Também não tenho uma fissura para que ninguém seja parecido comigo, isso seria considerado doença - a fissura e a singularidade, bela ambiguidade. Eu gostaria mesmo de me encontrar numa curva normal, onde as pessoas também tivessem bloqueios e dificuldades com algumas leituras que falem dos assuntos mais variados, incluindo matemática e filosofia, justamente por serem prazerosas, no sentido carnal da palavra.

É claro que isso não é algo tão devastador assim, só me encontrei nesse caso 2 vezes que me lembro, das quais, uma hoje. Não é um problema, acho que apenas é um caso curioso e, quem sabe, algo que todos tenham em diversos graus. O fato é que na hora, eu pensei que seria muito prazeroso - desta vez, no sentido da escrita "feliz" - escrever a respeito e, realmente, está sendo. Para não atrapalhar esse sentimento, vou até concluir com palavras de prosperidade:

Que eu tenha esse bloqueio ao ler este texto.

Brincadeira, risos.

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